E quando algo morre enquanto estamos vivos?
- Marcus Paulo Simionato Pasquinelli
- 14 de jul.
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de jul.
Nestas últimas semanas, me pego pensando bastante naqueles momentos em que algo chega ao fim.
Nós temos, enquanto seres humanos, um fim que é óbvio e lógico: a morte física. Mas, enquanto estamos vivos, passamos por vários outros términos, por vários finais... por várias "pequenas mortes".
Pode ser o fim de um casamento, o fim de um namoro, o fim de uma amizade. O desligamento de uma empresa. O fim de um projeto ao qual nos dedicamos intensamente — seja porque finalmente o alcançamos ou porque fracassamos nele.
Pode ser também o fim da juventude. Ou, ainda, o fim de um modo de viver a própria vida, que ocorre quando descobrimos que não queremos mais funcionar de determinada forma e decidimos mudar.
O ponto é que passamos por muitos desses finais sem perceber o impacto real que eles deixam na nossa história. Toda vez que algo acaba, existe um pequeno luto a ser vivido. No entanto, a maioria dessas perdas acaba não sendo reconhecida — nem por nós, nem pelas pessoas ao nosso redor.
E quando não nos permitimos sofrer esses fins, o impacto é silencioso e profundo: deixamos de experienciar as emoções que precisavam ser vividas e integradas naquele momento.
O resultado? Essas emoções não expressadas passam a nos acompanhar como uma bagagem invisível.
Mais adiante, em um próximo projeto, em um novo relacionamento ou em outro momento da jornada, você acaba sendo influenciado por aquela dor que não foi processada lá atrás. E, sem perceber, perde a capacidade de abrir espaço para o novo.
Isso é extremamente grave. Sem o espaço para o novo, ficamos repetindo exaustivamente o que já vivemos.
Em algum nível, essa repetição nos traz uma falsa sensação de segurança. Mas, por outro lado, ela nos impede de construir a vida que realmente gostaríamos de ter. Impede que a gente se arrisque de verdade em um novo trabalho, em uma nova amizade ou em uma nova relação.
Viver esses lutos, reconhecê-los e validá-los é o que nos devolve o espaço necessário para continuar vivendo — mas agora, sem carregar os fantasmas do que já passou.
Isso me parece algo a que deveríamos dar muita atenção.
E você? Consegue lembrar de algum momento da sua vida em que não se permitiu viver uma perda ou um luto que precisava ter vivido?
Até breve.


Comentários